Embora todas as universidades públicas se confrontem com os mesmos desafios e se pautem por idênticos padrões de qualidade, as circunstâncias que lhes são próprias, diferem. Pelas soluções encontradas em resposta aos desafios da qualidade e da sustentabilidade, e pelas opções priorizadas a nível da ciência e da arte, do ensino e do bem-estar da população académica, as Instituições configuram personalidades próprias, únicas, pelas quais se distinguem entre si.

450 anos depois de fundada, a Universidade de Évora apresenta-se com um rosto bem definido, com traços identitários que a distinguem de todas as outras. Alia a particularidade de estar sedeada no centro histórico de uma cidade classificada como património da humanidade com o facto de se implantar igualmente em terrenos específicos de muitos dos domínios científicos que cultiva: nos campos agrícolas de sequeiro e de regadio, em pleno coração da zona de extracção dos mármores, à borda do oceano, nas terras altas e arborizadas de São Mamede, prósperas outrora, sob a ocupação romana, ou em Alterdo-Chão onde a genética e a veterinária se aliam na missão de preservar a raça equina lusitana.

Dotada de uma compartimentação orgânica suficientemente permeável para permitir o diálogo criativo entre as humanidades, as ciências, as artes e as tecnologias, a Universidade de Évora perspectiva a investigação científica para as problemáticas do mundo que a rodeia, onde água, energia, património e ambiente são palavras-chave.

Em harmonia com a cidade que a acolhe, a Universidade de Évora estabiliza numa dimensão ideal que potencia a relação de proximidade entre docentes e discentes, que estimula o convívio entre estudantes de todos os azimutes do conhecimento, favorecendo o enriquecimento pessoal pela fertilização cruzada de saberes e sensibilidades e pela prática do associativismo estudantil.

É esta Universidade que 13 fotógrafos profissionais esmiuçaram, percorrendo salas de aula, bibliotecas, laboratórios de investigação e herdades experimentais, espiando os alunos e os professores nas cerimónias académicas, na lavra dos campos, nas pesquisas arqueológicas, nas cirurgias veterinárias, na observação da fauna oceânica, nas expressões artísticas e no desporto, no namoro, no laser e nas tradicionais praxes académicas. Reuniram milhares de instantâneos da vida académica, dia a dia, mês a mês, ao longo de um ciclo académico completo, anual.

As cerca de 170 fotografias seleccionadas pelos fotógrafos da Kameraphoto constituem um testemunho da vida real; o que não faz dele um produto promocional da Universidade segundo o conceito dos catálogos publicitários. Com efeito, a Universidade é aqui retratada na sua intimidade, com as mazelas que o tempo imprime nos edifícios, sem “maquilhagem nem peruca”; com a humanidade daqueles que nela trabalham, ensinando, organizando, estudando e desabrochando para a cidadania, nas suas múltiplas facetas.

450 anos depois da fundação, a Universidade de Évora é seguramente uma das instituições mais antigas, uma das “jóias da coroa” de que o País e a Cidade se devem orgulhar; tanto mais que pela sua dinâmica, em lugar de envelhecer, a Universidade de Évora renova-se constantemente e protagoniza a inovação nos modelos de ensino/aprendizagem, como também na ciência, da tecnologia e da arte.

A realização deste livro não teria sido possível sem a competência e o entusiasmo da equipa de fotógrafos profissionais da Kameraphoto e a dedicação de Cristina Brázio designer do Gabinete de Imagem da Fundação Luís de Molina. A todos expresso o meu agradecimento. Agradeço igualmente a Michael W. Lewis a tradução deste prefácio.

Évora, 12 de Outubro de 2009

O Reitor
Jorge Araújo

UÉvora Kameraphoto