Em Exposição: 3 Colectivo Kameraphoto

Para a comemoração do 3.º aniversário da [KGaleria], cada fotógrafo do colectivo [Kameraphoto] interpretou uma imagem de um autor da sua escolha.


Alexandre Almeida, António Júlio Duarte, Augusto Brázio, Céu Guarda, Guillaume Pazat, João Pina, Jordi Burch, Martim Ramos, Nelson d'Aires, Pauliana Valente Pimentel, Pedro Letria Rui Xavier Sandra Rocha, Valter Vinagre

Inauguração:
dia 28 de Março às 18h30
patente até 19 de Abril

Horário ao público:
4ª a Sáb das 15h às 20h
(excepto feriados)

A Kgaleria está de parabéns!


Parece que foi ontem, mas já passaram três anos. É tempo de festa para todos os que protagonizaram este projecto e para aqueles que nele acreditaram. É, pois, tempo de celebração, de compartilhar a alegria de ter até aqui chegado, rever o que não foi conseguido, retemperar forças e continuar em frente.
Uma galeria de arte constitui sempre um projecto arriscado e, quando é especificamente de fotografia, o risco é acrescido. Ao longo destes três anos a Kgaleria demonstrou que é possível, a par de uma coerente programaçã que inclui percursos de reconhecidos autores, realizar um notório trabalho de divulgação de jovens fotógrafos.
Como pretexto para a exposição comemorativa da passagem deste terceiro aniversário propôs-se que cada fotógrafo realizasse uma imagem com referência a outra já existente. Estamos, pois, perante uma atitude muito típica da pós-modernidade em que as atitudes de apropriação têm lugar recorrente e que atinge a sua mais óbvia expressão no trabalho de Sherry Levine. Aí a autora refotografa obras de conhecidos autores, mas assume por completo a atitude plagiadora remetendo para a questão do original e da reprodução, quase numa espécie de exemplificação do discurso de Walter Benjamin. Os anos de 1990 conheceram também um vasto conjunto de trabalhos que corporizavam homenagens a autores conhecidos. Nesta exposição estamos face a tudo isto e também perante uma interessante questionamento e reflexão da actual fotografia portuguesa.


Todo o conjunto se reveste de interesse e matéria exploratória, porém, e de acordo com o terceiro aniversário, decidi seleccionar três imagens para uma breve consideração. “Homem de fato de linho” remete-nos naturalmente para Robert Maplethorpe, numa imagem donde sobressai um pénis negro. Mas esta imagem joga de forma criativa com algo muito presente na fotografia que é a ambiguidade. Aqui, a ausência do sexo masculino conduz a uma metáfora do sexo feminino, na forma como a braguilha se apresenta, procurando desviar-nos dessa realidade através da semântica do título. “Emma Pires” é outro exemplo de apropriação, no caso, à obra de Alberto Garcia-Alix. Um retrato de duas metades suspenso por uma mão masculina que nos leva a reflectir sobre o complexo território do retrato fotográfico e respectiva forma de teatralização.


Finalmente, a intrigante imagem “Anónimo, século XX”. Afinal o que é a fotografia? O que é uma fotografia? Esta, em particular, conduz-nos a uma infinidade de questões deste meio de representação, em que o autor nos pretende remeter para uma aparente banalidade do erro técnico que simultaneamente nos nega a identidade intencional do retrato. A fronteira entre o amador e o profissional. O que nos faz distinguir um retrato comercial dum retrato de Thomas Ruff?. Deixo esta e outras questões para cada espectador desta exposição reflectir em torno delas e encontrar as suas próprias respostas.

Parabéns à Kgaleria.

Rui Prata, Março, 2008.